Durante a homilia costumo aborrecer-me. No domingo, enquanto o Sr. padre tentava em esforços homéricos chamar a atenção dos fiéis para mais uma qualquer coisa sem interesse, reparei que o fazia com suores frios evitando a todo o custo temas pertinentes como os das últimas declarações do Papa.
Eu pus-me a pensar, as declarações nem o buraco de um dente me tapam, por isso preferia que falasse da ruptura de stock de açúcar.
...
Tuesday, December 14, 2010
Thursday, December 09, 2010
Monday, December 06, 2010
na rua
a mim custa-me, parece que têm medo de me sentir o cheiro, ou que eu estique o braço e lhes toque, que lhes olhe nos olhos ou que queira mais do que não querem dar.
até quando perguntam indicações na rua deixam um metro e meio de distância entre si e o outro.
estranho.
até quando perguntam indicações na rua deixam um metro e meio de distância entre si e o outro.
estranho.
Friday, December 03, 2010
do divino
no primeiro dia fez o mesmo que no segundo, que no terceiro, que no quarto, que no quinto, que no sexto e que no sétimo.
sem mudanças nem variações
gosta de uma vida constante e não aspira a sagrado nem a divino.
sem mudanças nem variações
gosta de uma vida constante e não aspira a sagrado nem a divino.
olhar
era domingo
ou era segunda
de qualquer das maneiras não trabalhava
e os dias arrastavam-se eternamente entre arrumações
filhos
pais
medos
e rotinas milagrosas.
até se esquecer de si própria
mergulhada nas dúvidas de uma vida bem vivida
encarcerada nos sonhos agora desarticulados
no pensamento derivante
num corpo envelhecido pela solidão
pelos dias cinzentos
pelas noites curtas
pelas palavras que ficaram por dizer
arrependo-me
arrependo-me de não ter registado tudo isso
arrependo-me de não ter ouvido melhor
de não ter escrito
de não ter guardado
penso
um dia vou-me esquecer
e nem as minhas memórias me vão restar
porque também delas me vou esquecer
e fico sem palavras
como aquelas que não dissemos.
ou era segunda
de qualquer das maneiras não trabalhava
e os dias arrastavam-se eternamente entre arrumações
filhos
pais
medos
e rotinas milagrosas.
até se esquecer de si própria
mergulhada nas dúvidas de uma vida bem vivida
encarcerada nos sonhos agora desarticulados
no pensamento derivante
num corpo envelhecido pela solidão
pelos dias cinzentos
pelas noites curtas
pelas palavras que ficaram por dizer
arrependo-me
arrependo-me de não ter registado tudo isso
arrependo-me de não ter ouvido melhor
de não ter escrito
de não ter guardado
penso
um dia vou-me esquecer
e nem as minhas memórias me vão restar
porque também delas me vou esquecer
e fico sem palavras
como aquelas que não dissemos.
Thursday, December 02, 2010
Wednesday, December 01, 2010
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